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Um Projeto de Inovação Literária no Ensino

Um Projeto de Inovação Literária no Ensino

Rubênio Marcelo

 

           “O homem se define por seu projeto”.  Esta foi uma das principais assertivas deixadas pelo escritor francês Jean-Paul Sartre (1905 - 1980).

           Pois é com esta firme ideologia e esta força inata, pensando no presente e projetando o futuro, que o nosso companheiro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, poeta/escritor Guimarães Rocha, acredita que o direcionamento da arte  é o próprio enredo da vida. Nesse mister, sabe o incansável bardo que a literatura assume muitos saberes; que somente através da arte literária eclética o amplo Saber reflete incessantemente sobre a Educação moderna.

           Assim é que Guimarães Rocha obteve do ministro Gilberto Gil, no dia 06/04/2005, no Palácio da Cultura em Campo Grande, aprovação pública para o movimento que está conduzindo “pela inclusão da nova literatura brasileira com arte-cultura nas escolas do Brasil”.

           O poeta solicitou audiência no MinC para oficializar nacionalmente e ampliar a proposta voltada para a aplicação efetiva da nossa literatura sul-mato-grossense nas escolas, intercâmbio cultural dos Estados e formação de um colegiado para avaliação e sugestão de livros e autores de todo o País, a serem contemplados.

           Recomendando publicamente que Rocha formalizasse a apresentação do Projeto junto aos Secretários de Cultura de todos os Estados brasileiros (o que efetivamente já foi providenciado), disse o cantor-ministro em seu discurso: – "Acabo de receber das mãos do intelectual cearense radicado em Mato Grosso do Sul, poeta Guimarães Rocha, uma proposta plausível, fundamentada no intercâmbio cultural, buscando a inclusão da nova literatura brasileira nas escolas, que conta com o nosso total apoio”.

           Por sua vez, informando que buscaria o Secretário de Cultura/MS Silvio Nucci (como realmente o fez), para retomar as abordagens a respeito da aplicação da nossa autêntica literatura sul-mato-grossense no ensino e o entendimento objetivando conduzir um grande projeto de intercâmbio cultural,  enfatizou, com estilo, Guimarães Rocha: – "Em meio a nossos esforços por incluir nas escolas e em seus currículos os autores regionais, percebemos serem insuficientes os atos isolados dos poderes constituídos e de particulares, em todo o Brasil, para promover com eficiência a literatura nova, elaborada em cada Estado”.

           Guimarães está propondo a formação de um conselho nacional reunindo um representante de cada Unidade da Federação, sob comando do MinC, com a finalidade de selecionar os melhores trabalhos, considerando em primeiro lugar a originalidade-criatividade e a aderência aos maiores interesses comunitários (importância quanto à memória e desenvolvimento intelectual e sociocultural), visando a sugerir sua inclusão nas escolas.

           O poeta tenciona a elaboração de um planejamento nacional voltado ao aproveitamento dos valores regionais radicados em cada Estado brasileiro, no processo local de ensino-aprendizagem, com o diferencial de serem apresentados enriquecidos com arte viva (música, teatro e performance). O autor de cada obra comandará e, de corpo presente, será o centro das apresentações no estabelecimento em que ocorrer a divulgação (o escritor/artista interagindo na escola).

           Os autores e obras escolhidos contarão com trabalhos especializados de revisão e receberão incentivos diversos como: patrocínio de novas edições de seus livros, prevista a doação de volumes para os acervos de instituições locais; destinação de recursos para a visitação e lançamento dos livros em outros Estados da Federação. Os trabalhos e autores, avaliados, sugeridos pelo Colegiado e aceitos pelos Estados de origem, serão incluídos na rotina de estudos das escolas de todas as Unidades da Federação.

           Finalizando, é bom que se lembre que a idéia não pertence a uma alma; é a alma que pertence à idéia. Trabalho, dedicação e conhecimento oxigenam e mobilizam permanentemente o combativo e intimorato escritor Guimarães Rocha. A verdade move e moverá a Literatura. O sonho plausível sustentará o obstinado ânimo de cada dia no ímpeto sublime deste nobre titular da Cadeira nº 4 da nossa ASL.

           No mundo atual, pessoas e instituições têm de fazer diferença. Destarte, e agora me dirigindo ao insigne confrade, realço com franqueza:  – reacenda a cada dia, companheiro Guimarães, a perseverança por esta digna e respeitável causa. E saiba que nesta empreitada (e em outras, que virão) você jamais estará só (tenha certeza disso!). Como não estará só também no acompanhamento intrépido e no zelo pela manutenção da transparência e democracia nas atuais e futuras decisões tomadas no seio do nosso querido Sodalício Literário. Precisamos sim estar presentes, atentos e vigilantes, para que a justiça e perfeição que tanto sonhamos (eidealizamos!) na augusta Casa Luis Alexandre de Oliveira sejam uma constante a mostrar que a nossa Academia é um vigoroso laboratório de consciências e não um vagaroso repositório de conivências. Precisamos, nessa caminhada, perscrutar sempre a renovada esperança, mas com os punhos cerrados contra a servidão e a injustiça, para que as fraternas virtudes que verdadeiramente nos unem não sejam contaminadas jamais pelas interesseiras paixões individualizadas e pelas estultas vaidades arquitetadas aos cochichos e penumbras.

           Portanto, vamos todos – sociedade, autoridades, operários da cultura, vates e escritores que possuem realmente obras consistentes (com bons valores literários e sintonizados com os objetivos do Projeto) – somar nossos esforços com os ideais de Guimarães Rocha.

           Se Deus nos concedeu o ofício de cantar – cantemos! Nossa luta é a paz. Nossa missão: alimentar o eterno! Há cousas que nos chamam... A fé poética é uma delas.

 

RUBENIO MARCELO

Poeta/Escritor/Compositor e Secretário-Geral da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras