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Coronel Adib Desnudo

Homenagem feita por José Pereira Lins

 

CORONEL ADIB DESNUDO

 

           O Escritor Guimarães Rocha – Poeta e Prosador – desceu os degraus que o conduziram ao Olimpo e a perfumados salões parnasianos para gladiar na planície, onde o menor erro pode resultar na morte do inábil espadachim.

           Ele estava consciente, como consciente está, dessa verdade; também, que não poderia invocar as musas, auxiliado por Virgílio; nem as figuras de retórica a exemplo dos grandes oradores, ou a quaisquer outros artifícios de linguagem poética, para ilustrar o seu trabalho, nem mesmo o badalado direito jornalístico. Assim escreveu ele CORONEL ADIB A HISTÓRIA, tendo como única preocupação a transparência da verdade. O livro está nas livrarias. É do domínio público. Uma festa para os leitores. Bom cardápio para a crítica atuante. Para a formação das torcidas. Elas fazem bem e ajudam os envolvidos. Desperta interesses novos e aliciam osindiferentes. O Autor está preparado para receber a todos, pois em suas militâncias aprendeu que a nobre arte não passa alheia e imune à opinião dos que pensam e interagem.

           Se a “História é mestra da vida”, segundo a proclamação de Heródoto, e a biografia reflete as faces dos lances históricos, Guimarães Rocha atingiu plenamente seus objetivos. Tirou das brumas a imagem do grande líder ADIB MASSAD que continua hoje, quanto foi no exercício do seu Comando, íntegro e respeitoso, homem de bem e digno de apreço e consideração inconteste.

           O Capitão desnundou o Coronel. Rompeu-lhe o fardão folclórico. Retirou-lhe os “causos” que se tornariam lendários. Desmascarou as mentiras dos onzeneiros de plantão. Apresentou-nos o homem tal qual ele é, e sempre foi. Já não temos que apelar para Heródoto a fim de constatar que  “a história é mestra da vida”. Não folhearemos as páginas amarelecidas de Plutarco, na procura de exemplos dignos nos seus varões gregos & romanos, de vidas paralelas, para dignificá-los na poeira do tempo e concluir que antigamente era assim. Guimarães Rocha desprezou esses tais super-homens e os Doze Pares de França, na chefia de Carlos Magno. Apresentou-nos o seu próprio herói. Podemos vê-lo e tocá-lo. E o que é melhor; evidenciar os fatos.

           O notável escritor não se fechou em clausura, consultando arquivos ou jornais da época para produzir seu documentário, mas, como militante, vivenciou muitos dos fatos narrados. Também buscou o testemunho de outros companheiros vigilantes de jornada e os transcreveu. Ouviu, ainda, ADIB MASSAD. E atestou o que escrito está. CORONEL ADIB deixou as páginas misteriosas do “disse-disse” e assumiu o seu papel definitivo na história policial e social, que se confundem e se ajustam nos novos tempos de justiça, de progresso e desenvolvimento do grande Estado de Mato Grosso, de mãos dadas, hoje, com a nova estrela que é Mato Grosso do Sul.

           Guimarães Rocha nos concita a coragem do  homem que, no estrito cumprimento do dever, soube amar e sorrir.

           Para Carlyle, “nenhum grande homem vive em vão. A história da humanidade não é mais que a biografia dos grandes homens”.

           Guimarães Rocha nos desnudou um desses homens, em CORONEL ADIB A HISTÓRIA.

 

José Pereira Lins

Professor e Membro da Academia Douradense de Letras