Entrevista por Adelaido dos Anjos
Para a construção de um painel biobibliográfico, iniciamos com as questões de praxe:
Nome completo (Por que adota outro nome além do de origem?)
Antonio Alves Guimarães — Guimarães Rocha - Este outro nome é resultado de uma parceria que tive no início de carreira poética, com José Alves da Rocha Neto
Data e local de nascimento? 03/7/1956 – Quixeramobim/CE
Nomes dos pais? José do Nascimento Guimarães e Antonia Denise Guimarães
Onde passou a infância... juventude... adolescência... como foram? Minha infância transcorreu na fazenda Viração, em Quixeramobim/CE; Queimadas – Mombaça/CE; depois em Vicentina/MT, hoje MS. Trago comigo boas lembranças de uma vida saudável, em família: a vida no campo, as noções de honradez e amor ao próximo. Muitos sonhos acalentava, de um dia ser escritor, poeta, professor, e ainda muito jovem iniciei a trajetória que me levou a concretizar esses sonhos, que hoje continuam a se materializar.
Em que lugares morou? Além da fazenda Viração, em Quixeramobim/CE; Queimadas – Mombaça/CE, Vicentina/MT, hoje MS, residi em Dourados, Ponta Porã e Maracaju.
Quando veio para Campo Grande? No ano de 1980.
Nome da esposa e filhos...
Esposa? Rosa Pereira da Cruz Guimarães
Filhos? Ludmila da Cruz Guimarães (09/6/1983); Ludhiana da Cruz Guimarães (24/4/1988); e Lucas Antonio da Cruz Guimarães (14/11/1994).
Estudos que realizou... onde... desde o primário à formação superior e estudos complementares? Meus primeiros estudos, realizei na fazenda Viração, em Quixeramobim/CE, Queimadas – Mombaça/CE, e em seguida na Escola Padre José Daniel, em Vicentina (Primeiro Grau); o Segundo Grau, na Escola Oswaldo Cruz, em Dourados; Formado em Letras pelas Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso (FUCMT), conclusão em 1988. Pós-graduação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em 1996: Fundamentos da Educação, Concentração Filosofia; defesa da tese exposta em monografia, "Reflexões sobre a Obra de Dante Alighieri".
Outros cursos?
- Ética e o Novo conceito de Relação Social (PMMS, 1999);
- Pedagogia Moderna e a Nova Política de Educação, baseado na nova Leis e Diretrizes Básicas de Ensino, (Secretaria de Educação MS, 1998);
- Comunicação e Abordagem do Cidadão (PMMS, 1998);
- Direção Defensiva (como Militar) - (Detran, 1988);
- Teoria da Literatura (FUCMT, 1988);
- Prática de Ensino e a Visão do Educador (FUCMT, 1988);
Curso básico de Espanhol (1986 a 1989). Strattford, Campo Grande/MS;
No que é formado? Letras. E pós-graduação: Fundamentos da Educação, Concentração Filosofia
Quantas profissões que exerceu? Ingressei na Polícia Militar do então Estado de Mato Grosso – hoje Mato Grosso do Sul – em 25/11/1975, mediante Curso de Formação de Soldado. Cabo, em 30 de junho de 1980 (Curso de Formação de Cabos); 3º Sargento em 30 de junho de 1981; 2º Sargento em 05 de setembro de 1986; 1º Sargento em 05 de setembro de 1988; Subtenente em 05 de setembro de 1992; 2º Tenente em 25 de dezembro de 1992; 1º Tenente em 21 de abril de 1994; Capitão PM em 21 de abril de 2000.
- 1992: lecionei na Escola Estadual Dr. Arthur de Vasconcelos Dias, as disciplinas Língua Portuguesa e literatura brasileira e Educação Artística
- 1991: lecionei na Escola José Maria Hugo Rodrigues, a disciplina Língua Portuguesa e Literatura Brasileira
Qual a profissão atual? Policial militar (Capitão PM) e Professor
É professor.... onde leciona... que grau... que matérias? Desde 1993 até à presente data, leciono Literatura Brasileira na Escola Padre João Greiner.
Quantos livros escreveu... Quais... Todos publicados... Quantos em prosa...verso?
POESIAS – VERSOS
LIVROS PUBLICADOS:
- Mundo Mundano, 1979;
- Geração Iludida, 1983;
- Coleção Recorde Guimarães Rocha, 2001 (15 volumes: Dante Vive; Amor; Sonho; Cidades que eu amo; Desconhecido Pantanal; Luz; Saudades; Viver é lutar; Encanto; O Policial e o Poeta; Rio; Contrastes; Mofo; Geração Iludida; Transformação).
Além da literatura, quais outras artes pratica... (músico...) (possui gravação...)... artes plásticas... (participou de exposição...) etc... Poeta e cantor. Lançou em 2001 o CD Encanto — um trabalho resultante da experiência dos shows de Guimarães Rocha: Doce Encanto (1990), Mofo (1992) e Encanto (1998) – canções e ritmos de sua criação, e suas poesias do romantismo ao questionamento social.
- Já compôs 40 músicas, incluindo trabalhos em parceria com outros autores
- 1984: participou no programa Som Brasil, com a música "Sertanejo" levada pelo cantor Djalma Matias
- 1983: participou do Festival da Canção de Mato Grosso do Sul, com a música "A Gente e a Guerra" entre as 14 classificadas
- Em 1982 começou a compor. Venceu o I festival MPB em Naviraí, com a música "Alma Confusa"
- Realizei Declamações de Poesias nos 77 municípios de Mato Grosso do Sul, no período de 1982 a 2000, lancei meus livros executando o projeto POEMARTE, de minha autoria, que conjuga a Poesia com a Arte Plástica por meio de camisetas ilustradas (20 mil camisetas distribuídas) e cartões postais/poema (15 mil unidades distribuídas). Destacam-se os shows Doce Encanto em Iguatemi, Vicentina, Mundo Novo e Campo Grande, Mofo e Encanto em Campo Grande, especialmente as temporadas em escolas.
Colabora em jornais, revistas e afins? Publico regularmente artigos em variados jornais e revistas, principalmente de circulação em Mato Grosso do Sul, abordando variados temas de interesse em educação, arte e cultura, civilidade.
Quando entrou para a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras... Que cadeira ocupa... Quem é o patrono... Faz parte da diretoria... Que cargo ocupa? Ingressei na Academia Sul-mato-grossense de Letras, em 27 de setembro de 2002. Ocupo a cadeira nº 4 – Patrono: Joaquim Duarte Murtinho. Sou da Diretoria, ocupando o cargo de Tesoureiro.
E membro de outras academias... associações... entidades...
- Faço parte do Clube dos Oficiais PM;
- Fundador da União Brasileira de Escritores (seccional MS) – (Campo Grande, 1985);
- Fundador do Movimento de Escritores Independentes (Campo Grande, 1983);
- Fundador da Associação dos Escritores Novos (1982)
- Pertenço à Academia de Literatura e Estudos de Corumbá, desde 1984.
ENTREVISTA PROPRIAMENTE DITA
Adelaido dos Anjos - Como e quando surgiu o pendor para a literatura? Quando começou a escrever? Por quê?
Guimarães Rocha — Acompanha-me, desde a infância e adolescência, uma incontida necessidade de comunicação e expressão. Comecei a escrever em 1975, movido pelo imperativo de cantar o amor e a dor.
Adelaido dos Anjos - Quais suas influências literárias? Escritores prediletos... Quais livros fizeram e fazem parte de sua formação cultural?
Guimarães Rocha — Basicamente os escritores clássicos compõem a influência sobre o meu trabalho, desde o início, como os meus prediletos, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Olavo Bilac, Castro Alves, filósofos da antiguidade e outros, e ainda Vinicius de Moraes e Ferreira Goulart; entretanto, meu estilo próprio me permite composições inusitadas. Tenho em Thiago de Melo, Pablo Neruda e João Cabral de Melo Neto, três dos meus escritores modernos preferidos. Na minha formação cultural, são presenças fortes, como exemplo, os livros "A Divina Comédia" e os demais, de Dante Alighieri; "Eu e outras poesias", de Augusto dos Anjos; "Dom Casmurro", de Machado deAssis; e "A Bíblia Sagrada".
Adelaido dos Anjos - Como se dá seu processo criativo?
Guimarães Rocha — Surge sempre pela necessidade emocional, de comunicação e expressão. Dependendo, portanto, do momento, a criatividade flui conforme a direção dos sentimentos atuais, mantendo, porém, os valores de amor e de questionamento social.
Adelaido dos Anjos - No que se baseia para desenvolver sua literatura?
Guimarães Rocha — É imperativo para mim, tornar-me útil à coletividade, somando-me aos anseios dos meus contemporâneos, abraçando a causa do progresso da humanidade. Minha principal ferramenta é a poesia, pela qual podemos dizer tudo aquilo que se torna indizível nas construções formais, convencionais.
Adelaido dos Anjos - O que é poesia?
Guimarães Rocha – Poesia é a exaltação da sensibilidade humana. É a arte de dizer nas entrelinhas, com elegância na forma e no formato da construção literária. Onde houver criatividade, há poesia. Identifica-se a poesia a todo instante em que percebemos a harmonia das coisas vivas.
Adelaido dos Anjos - Depois de materializada a poesia, como é sua reação com o material impresso?
Guimarães Rocha — É sempre uma alegria ver um "filho" da nossa criatividade, gerado com amor, sendo apresentado ao critério alheio para motivar trocas de experiências enriquecedoras. Mas nunca o materializado reflete com total perfeição aquilo que é idealizado, pois o concreto das palavras é limitado para expressar o infinito da espiritualidade.
Adelaido dos Anjos - Há alguma agrura psicológica quando escreve?
Guimarães Rocha — Quando o assunto é o social, tocando às dores humanas, torna-se impossível evitar a aflição interna. Nas questões de amor, assim como nas demais, prevalece o anseio de me derramar, compreender e ser compreendido.
Adelaido dos Anjos - Qual seu tema preferido?
Guimarães Rocha — O Amor.
Adelaido dos Anjos - No que se baseia para escrever?
Guimarães Rocha — Principalmente os sentimentos, mas especialmente a expectativa de torná-los existenciais e objetivos para a vida mais plena e feliz.
Adelaido dos Anjos - Fale a respeito da sua Coleção Recorde...
Guimarães Rocha — Moveu-me o desejo de estabelecer recordes como os verificados — o maior número de livros (15) inéditos publicados simultaneamente por um só autor; o feito único por um poeta-militar-professor; o maior número de horas (15) ininterruptas de declamação de poemas inéditos de um só autor — mas não por uma movimentação egoística, e sim no intuito de chamar atenção para o cultivo dos valores da alma. A notoriedade de um poeta-escritor e seus feitos, carreiam consigo as possibilidades de um despertar humano para as necessidades do espírito.
Adelaido dos Anjos - Fale sobre sua habilidade musical. Músicas compostas e gravadas...
Guimarães Rocha — O motivo primeiro é cantar a terra onde se nasce, e também onde se vive e trabalha, mantendo a família. Também, porque cantar faz parte das primeiras necessidades. As músicas que compus, cantando a dor e o amor, gravei-as como suporte às declamações poéticas. Vivemos ainda na expectativa de que se amplie o apoio à poesia, e que as pessoas, um dia mais despertas, possam melhor apreciar essa arte.
Adelaido dos Anjos - Manoel de Barros afirma que a matéria da poesia é o inútil. Há alguma concordância de sua parte? Afinal, qual o elemento primordial da poesia?
Guimarães Rocha — Se entendermos o inútil como imaterial ou não-utilitário, tudo bem. Mas nenhum jogo "inútil" de palavras poderá retirar da poesia a sua feição muito mais que útil, pois ela é simplesmente vital, essencial. Portanto, talvez, no lugar de perguntarmos qual é o elemento primordial da poesia, possamos afirmar que a poesia é o elemento primordial, agora falando da vida em sua intimidade.
Adelaido dos Anjos - Dizem que a poesia não tem alto valor comercial, mesmo assim são tantos os artistas das palavras que se dedicam a ela. Por quê?
Guimarães Rocha — Pelo motivo mesmo de ela ser essencial à vida. Não somente artistas, escritores e poetas propriamente ditos, cultivam-na e dela se abeberam, mas também toda pessoa que ama e trabalha, todos os simples no coração, e mesmo aqueles que se transviam, veja que os versos se multiplicam nas paredes da marginalidade, nos porões, nos banheiros imundos ou nas telas frias de uma prisão.
Adelaido dos Anjos - O poema nasce "de experiência captada, sintetizada e transformada pelo poeta"?
Guimarães Rocha — Sim, mas também há as razões "que a própria razão desconhece", do mesmo modo que há mais coisas entre o céu e a terra do que pode julgar a nossa "vã filosofia".
Adelaido dos Anjos - Todos que acompanham sua poética, notam seu empenho cada vez mais por uma arte trabalhada, de fino trato com as palavras, mas aparente, compreensível, sem deixar a emoção para o segundo plano. Comente-nos sobre isso...
Guimarães Rocha — Um campo emocional aflorado, às vezes se parece com uma chaga viva ou uma fratura exposta. Então eu quero dizer com beleza o que entendo necessário ser dito, mas sem ocultar a extensão ou o alcance daquilo que está sendo expressado. O processo mental é indispensável à forma, porém o conteúdo procede do campo emocional. Quero que esses dois campos, conjugados, toquem amorosa e sensivelmente o campo físico, existencial, para ensejar novos vôos e empreendimentos da mente e da emoção.
Adelaido dos Anjos - Há alguma publicação em vista?
Guimarães Rocha — Agora o principal livro que estou escrevendo, para publicar ainda este ano, traz o título: "Moral da Idade Média no Terceiro Milênio", que desdobra os princípios educativos contidos no livro "Dante Vive", o número 1 da Coleção Recorde Guimarães Rocha.
Adelaido dos Anjos - Dos livros publicados, há algum de relevante interesse particular?
Guimarães Rocha — Sim, "O Policial e o Poeta", motivador do meu vídeo com o mesmo nome, que se encontra em fase de produção.
Adelaido dos Anjos - Comente a gênese de cada um dos seus livros...
Adelaido dos Anjos - Comente a gênese de cada um dos seus livros.
Guimarães Rocha
- Mundo Mundano– Com a emoção de publicar o nosso primeiro livro, pudemos falar da inquietação e insatisfação dos seres humanos, ao construírem, eles próprios, um mundo artificial de aspereza, hipocrisia, injustiça e abusos. Os charcos mundanos são identificados, mas também nos estribamos na certeza de que, se podemos pulsar na inferioridade dos sentimentos, temos poder idêntico de resgatar a vida do lodaçal a que nos atiramos.
- Geração Iludida – A intenção deste livro foi transmitir mensagens de equilíbrio e renovação à juventude, com extensão a toda a geração presente, fazendo observações e advertências, se bem que constatando e compreendendo os conflitos da atualidade, as belezas e os perigos da ilusão.
COLEÇÃO RECORDE
- Dante Vive (livro um) – O primeiro móvel foi fazer um arrazoado ultra-sintético das vertentes moralizadoras de Dante Alighieri, poeta considerado "A Alma da Idade Média", para dizer em versos desafiadores do intelecto, a respeito da atualidade da compreensão dantesca. As grandes lições, mesmo veladas, estão disponíveis à humanidade, há muitos séculos e milênios, enfim.
- Amor (livro dois) – Neste livro quisemos expressar o amor em suas principais facetas, num jogo rápido, expondo as variadas mutações do campo emocional. É possível falar eternamente de Amor, sem que se consiga esgotar o assunto.
- Sonho (livro três) – Quisemos ensinar que todo sonho é simplesmente concreto, pois o sonho é um aspecto da realidade. A partir do sonho, quando colocamos o bem querer e o saber querer bem, numa realidade fluida, achamo-nos aptos a nos tornarmos todos, um dia, felizes.
- Cidades que Eu Amo (livro quatro) – O princípio do Amor inclui a terra onde se nasce: a casa, a rua, o bairro, a cidade... Quisemos falar do amor às raízes, mas também versar sobre o apego e o cultivo sem bairrismo, e sem perder de vista o destino de cidadão do mundo e do universo.
- Desconhecido Pantanal (livro cinco) – A nossa intenção é a de formular, sobre a natureza, uma prece atuante; enaltecer a beleza do nosso Pantanal, assumir responsabilidades e denunciar a destruição abusiva.
- Luz (livro seis) – Queremos anunciar o todo-luz da existência. A mensagem é de que estar vivo é um estado de luz — a realidade única, sendo a sombra uma serviçal da luz, ou antes, apenas uma ausência dela.
- Saudades (livro sete) – Buscamos qualificar o condão imenso da saudade, como base para reiniciar incessantemente os caminhos do amor. A saudade nos auxilia a manter acesa a chama do reviver.
- Viver é Lutar (livro oito) – O sentido deste livro é identificar e constatar a luta, não apenas como uma necessidade, mas também como uma condição natural da existência humana. Pudemos assim transmitir força aos que fraquejam imaginando o esforço da luta como desgraça ou injustiça, sem perceber o quanto há, nisso, da eterna presença divina e abençoada providência.
- Encanto (livro nove) – Pudemos trazer a nova face do encanto. Mais que deslumbre, mais que mistério, transmitimos a ousadia do pensar e do querer, com um coração sensível, diante das portas do amor.
- O Policial e o Poeta (livro dez) – Queremos revelar a poesia que pode existir em plenitude, na intimidade do policial trabalhando pela segurança e pela paz, pois, se é árduo, férreo, tenaz e incansável o exercício da autoridade e do poder, há poesia na luta pelas oportunidades de vida e regeneração para todos.
- Rio (livro onze) – Mostramos que a vida, como um rio, flui e se renova. O tempo não pára, e nem toda a devastação conseguirá destruir a abastança eterna, se bem que as conseqüências dos atos danosos pesam sobre o conjunto que os produz ou permite sejam produzidos.
- Contrastes (livro doze) – Desejamos explicar poeticamente a natureza realizadora das forças opostas, quando em confronto. A tensão dos contrastes nos oferece possibilidade de crescimento, ensina-nos a viver.
- Mofo (livro treze) – Aqui escrevemos para denunciar a estagnação das mentes viciadas na política má, de manipulação, que produz ruínas da moral, mas também esclarecer que a situação é transitória, pois os desalentos provocados acabam por despertar o mundo para um melhor estado consciencial.
- Geração Iludida – a reestruturação (livro quatorze) – Reeditamos o pensamento-síntese do livro Geração Iludida, publicado anteriormente. As poesias são novas e renovadas, mantendo as raízes da intenção. Aqui relatamos que o estado de ilusão traz no potencial a lucidez como possibilidade.
- Transformação (livro quinze) – Buscamos relembrar a transformação da vida no rumo e no parâmetro do sábio e infinito amor. Por mais que tudo flua incessantemente, as perfeições todas prosseguem presentes na interioridade dos movimentos, aflorando sempre para uma nova evolução.
Adelaido dos Anjos - Como foi a idealização e a execução do projeto Noite de Poesia em Campo Grande/MS?
Guimarães Rocha– A Noite da Poesia surgiu dos encontros espontâneos que ocorriam entre poetas e admiradores. A partir disso resolvemos, com outros pioneiros, estabelecer um encontro anual, um evento completo para convivência, destaque dos melhores trabalhos e divulgação do produto local. Fruto da busca de apoios, surgiu, além do amparo de instituições, estabelecimentos escolares, empresas e empreendimentos locais, o apoio da Prefeitura. O primeiro evento foi em 1986. A realização anual da Noite da Poesia foi transformada em lei municipal, integrando o calendário oficial de Campo Grande/MS.
Adelaido dos Anjos - Fale sobre a sua participação na fundação da UBE/MS e sua presidência...
Guimarães Rocha – Em 1985 participei do 2º Congresso Brasileiro de Escritores. A partir dos oito dias de encontros e debates do evento, fundei, juntamente com outros escritores locais, a União Brasileira de Escritores – Seccional MS (UBE/MS). Fui presidente da entidade, tendo ocupado diversos cargos em várias gestões.
Adelaido dos Anjos - Qual o papel de uma academia literária?
Guimarães Rocha – Entendemos que deve se tornar essencialmente uma ferramenta de transformação social, para melhor. Pode se tornar um poderoso centro de forças, para o qual possam convergir variados esforços originários da integração com todos os segmentos da arte, compondo um fulcro irradiante do saber e do fazer cultural.
Adelaido dos Anjos - Como entrou para a Academia Sul Mato-Grossense de Letras?
Guimarães Rocha – Passei pela práxis da análise das obras e do currículo, e indicação por três acadêmicos. Depois de votação secreta, foi dada homologação pelo meu ingresso como acadêmico na instituição.
Adelaido dos Anjos - Como o senhor vê a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras?
Guimarães Rocha – Dispondo já de tradição e organização, falta agora aperfeiçoá-la para o efetivo cumprimento de suas múltiplas funções, escapando do verniz meramente protocolar.
Adelaido dos Anjos - Em Mato Grosso do Sul, temos uma literatura definida, consolidada, ou há muitas influências de outros estados?
Guimarães Rocha – Temos aí uma "colcha de retalhos", mas qualquer conjunto definido nunca está isento de uma gama de influências que se recompõem numa nova peculiaridade. Possuímos, é claro, uma identidade, mas que ainda busca evidência.
Adelaido dos Anjos - Num mundo tão conturbado, pode a literatura cumprir um papel de ajuda para a redenção da humanidade?
Guimarães Rocha – Mais que papel, vemos uma função. Mas a redenção, acreditamos, não virá simultaneamente para o conjunto, sendo, antes, uma conquista individual que aos poucos contribui para um novo amálgama. É assim que a evolução se processa lenta e dolorosamente.
Adelaido dos Anjos - Acredita em Deus? Pertence a alguma religião?
Guimarães Rocha – Acredito em Deus, como uma certeza absoluta. Busco e pratico religião, considerando a função de Escola, das várias denominações, sem perder a postura de estudioso dos variadíssimos temas que elas abrigam.
Adelaido dos Anjos -É moralista?
Guimarães Rocha – Moralidade, sim; moralismo, não. Pureza, sim; puritanismo, não.
Adelaido dos Anjos - Qual a colaboração do escritor para a sociedade?
Guimarães Rocha – Se ele escrever para si mesmo, profundamente, estará contribuindo para a elevação de todos, pois, afinal, somos todos semelhantes.
Campo Grande - MS, Maio de 2003

Adelaido ds Anjos
Adelaido dos Anjos – Formado em Letras (Português/Inglês) e Guia de Turismo. Escritor - Articulista, poeta, contista, cronista e crítico literário.
Fotógrafo, membro da ANE e da UBE-MS. Autor do livro “Espelho da Aurora”; “Vale a Pena Conferir!” (Inédito) e participe de várias antologias.
e-mail: aanjos@terra.com.br
(67) 9641-5970


