Poesia é o que mantém a vitalidade do universo
Um atalho para o infinito. Só pela poesia podemos beijar a eternidade, entendendo-se que as mensagens comuns nos mantém limitados ao mundo que podemos experimentar com os chamados “cinco sentidos”. Senhora da sensibilidade imaginativa e da sabedoria libertadora, filha e mãe da música; destinatária e artífice das emoções.
Campestre ou erudita, saudosista ou futurista, melíflua ou ácida, pura ou temperada, individualista ou universalizada, satírica ou dramática, lírica ou narrativa, existencial ou social, concreta ou transcendental, poesia é sangue, entendido como vitalidade.
Sangue é vida, existência; poesia expressa o que há de elevado ou comovente nas pessoas ou nas coisas. Podemos então dizer, finalmente: a poesia é o sabor de tudo que há, quando pensamos no alimento e no consolo que ela nos oferece para suportar ou gozar o sentido espiritual do viver.
É a poesia mantenedora e multiplicadora da vida, pois se faz dinamizadora dos sonhos construtivos. Talvez ela tenha surgido no primeiro instante em que se fez imperiosa a necessidade de dizer o que não podia ser dito, pois o que se queria expressar pertencia ao mundo dos sonhos.
O tempo provou que são os sonhos a nos levarem além, no campo esperançoso das incessantes conquistas humanas. O progresso, a evolução, tudo tem início nos sonhos, que estimulam caminhos e imprimem vitalidade. E não há sonho sem poesia.
Guimarães Rocha - Poeta e Escritor membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras
Tesoureiro da ASL


