Caráter
Adib Massad é homem de exterioridade circunspecta e interioridade sã, ilibada, lúcida.
Fácil seria viver dando destaque ao que seja apenas exterior. A maioria das criaturas pode viver socialmente expondo só as aparências de honra. Outras, surpreendidas em evidências de desonra, sempre têm a chance, graças à fragilidade da moral da sociedade, de serem esquecidas ou safarem-se, temporariamente ou não, de embaraços formais, sociais.
Quando dizemos: Adib é homem de caráter, fazemo-lo com o olhar e o dizer de quem olha e diz o percebido na aura simples da pessoa; se não tem malícia contumaz, também não é ingênuo. Conhece a maldade e sabe combatê-la, sem ser mau. Não poderia ser diferente. A bondade ingênua é ineficaz. A simplicidade sem inteligência não tem poder de comando, nem voz, nem vez. Estando isso entendido, anunciamos, Adib é bom, simples, mas inteligente e implacável contra os astutos ruins; um atuante que desarticula o crime e um guerreiro contra os escarninhos e militantes da sombra.
Adib não temeu e não teme o sacrifício pessoal. Talvez daí o medo a tomar conta de covardes que sofreram a sua ação corretiva – jamais abusiva. O agente estribado na rocha do dever policial e na fibra não desgastada pelo vício apresenta e projeta uma luz horripilante aos ratos do esgoto malsão.
Difícil tarefa é narrar o caráter, pois quando existe só pode ser comprovado pelas consequências dos atos de uma vida inteira. Não basta um olhar. Tem que ser o conviver, o demorado sentir. Temos aqui o senso necessário e a didática sutil para confirmar e informar sobre a lisura e lealdade serenas de um ser humano despreocupado com as pompas e atento aos valores da alma: coronel Adib Massad.
Guimarães Rocha
Membro da Academia Sul- mato-grossense de Letras


